Afim de deixar ser transparente as sensações únicas e individuais, dos dias que compõe a vida, como num diário...
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quinta-feira, 24 de março de 2011
O Quarto Vermelho
Guardo tantas coisas nesse quarto,
Se escondem
outras tantas mais,
Submerge sempre
uma outra porção,
Desaparece constantemente
um bom bocado
do que eu fui.
Peço silêncio às paredes
elas sabem de tudo,
Peço silêncio às paredes
Elas são de uma calidez taciturna
mas também são gélidas
e suas palavras pódem me cortar sem perdão.
nos dias de volúpia
elas apenas olham
e nos dias de fúria
cantam o rock do diabo.
E todos os móveis
espaços vazios
e papeis no chão
têm sua explicação:
No quarto vermelho
tudo é revelação
e mistério.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Canção do Desapego

Então por hoje
nada terei
deixarei
que levem tudo
sem hesitar ou sentir remorso,
deixarei que quebrem tudo
sem ter pena do quebrado
Por hoje não terei nada
e levarei comigo
apenas essa pequena carga
tão leve e graciosa
Que de tão simples
só tem a ela mesma:
o nada.
então é isso
por hoje terei só a mim
Podendo assim voar
aos cantos mais remotos
como um saco vazio
Sem furo, é claro!
P.S.: Postado Também no Cachaçaria Cearense de Letras
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Elas

As reticências São mais sutis!
Não confirmam,
Não negam,
Não dizem
Sussurram uma música.
Preferem o subentendido,
Porque o implícito sempre foi mais sensual.
As reticências tem cílios longos
E falam baixinho.
Elas sempre fazem bem feito
A tarefa que lhes é concebida
Que é entregar o final
Para quem o valha;
Que é não se comprometer,
Que é deixar solto,
Que é deixar.
Peço emprestado
O silêncio musical das reticências
Para terminar esse poema
...
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Devaneios da Alma

(pintor desconhecido)
De uma performance
carregada e leve.
Ver um artista concentrado
à comunhão perfeita,
O artista cheio
Quase explodindo o peito
Com sua harmonia mística.
Coisas do ser
Bem de dentro...
O artista fecha os olhos
Como num cochicho à Deus
Dizendo:
- Entendo, Sinto e Sei!
E a alma dançando
Quase saindo
pela respiração
No mais perfeito
silêncio da alma
Enquanto do lado de fora
Soa o som
O som que soa
A alma do artista.
P.S.: Poema escrito sob um show da Breculê e dedicado ao seu Grande Percussionista, Túlio.
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