quarta-feira, 15 de junho de 2011

Insones

Égon Schiele
Quando cair o véu noturno
Quero que me coma.
O teu pau em minha entranha.
A tua língua que me arranha
o céu da boca
e o juízo.

Um desejo vil
de deitar na tua cama
amasssada e suja
de espasmas
e espermas
abrindo poros e pernas
até deixar o corpo rubro.

Quero deixar suor e pêlos
impressos no teu lençol
que irá ao chão com desespero
assim como nossas roupas
que não servem pra nada.

sábado, 4 de junho de 2011

O Arquiteto

à Átila
"eu É o espaço"


Passo pelas ruas, olho tudo. Olho as folhas no chão, olho as árvores dando sombra na calçada, olho os númeors das casas; como as pessoas arrumam suas coisas.
Levo comigo tantas coisas, quero um pedaço de cada casa, pra com por a minha casa. Mas quando junto tudo fica tudo sem sentido. Levo na lembrança várias salas, cantinhos de jardins e árvores e banquinhos e paredes e tintas. Mas quanto junto tudo pra formar minha casa, a casa mais bonita, com todos os cantinhos e coisinhas que eu colhi nas ruas, quando junto tudo isso vejo que não tem nada do que eu colhi.
Naquela varanda que eu vi, alguém beberia café e pensaria nas coisas olhando a chuva cair; naquela sala alguém ouviria música com os amigos e a noite seria boa; aquele jardim iria trazer todo um cheiro, toda uma cor à minha casa; aquela árvore acentuaria toda pacatez gostosa daquele lugar, e eu podeira fumar sossegadamente embaixo dela enquanto observava o resto da rua; as cores das paredes traduziriam todo o espírito de alegria sossegada de quem lá morasse.
Por que minha casa não tem uma forma?
Se eu trago tudo para deixa-la boa, por quê não fica?
Eu sei o porquê, descobri esses dias...
Quando passo pelas ruas, olhando as casas etudo o mais, afim de levar algo pra mim, eu só quero levar imagens, mas o quê de fato eu gosto é o Sentir, é isso que me apraz em certas casas: O que elas fazerm sentir, e isso eu não se se leva...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Onde tudo é Silêncio

Ègon Schiele

Engraçado como tudo aqui é silêncio.
Lá fora são montanhas de concreto e papelão
umas atrás das outras.
Tudo passa.
Tudo passando.
Tudo movendo e aqui só silêncio...

O sol movendo as folhas,
O vento movendo as nuvens,
Os compromissos movendo pernas
A vida correndo barulhenta
e aqui tudo silêncio.

Os moto taxistas conversando sobre o jogo do bicho
A vendedora que chama o cliente de "amor"
pra venda ser mais "prazerosa",
O cara que varre a calçada e olha a saia da menina...

Tudo vivendo morbidamente
com uma alegria contida,
calada
languida
e quase triste
Enquanto aqui é só silêncio
Enquanto aqui tudo parece estático e transparente
Como um vidro de boutique.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Caderninho de Bolso


Quero nas páginas do meu caderno
algo insólito e voraz
Que me consome e leva pra longe,
Algo que deixa claro o rastro de vivência.

Quero no meu caderno
Apenas o que pude sentir
Até o nojo.
Até o erro.
Só aquilo que cabe na vida,
dentro de comprimidos,
dentro da cabeça chapada,
dentro do coração embebido
e demasiado besta.

Quero neste caderno
Aquilo que foi
Tudo que foi
do verbo Ser.

Eu quero somente
Tudo
Que ele pode guardar.

É só o que quero no Meu Caderno.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quando o Movimento Entra

Amadeo Modigliane

É gostoso
ouvir alguma parte do meu corpo
exprimir um barulho de prazer
(presumo que seja de prazer).

O movimento
entra or algum lugar
- aquele que estala.
E desencadeia uma série de outros estalos
vindos de outras partes
que também se contagiaram
com o movimento.

Eu saio,
me movo
de alguma maneira
toda dona de mim mesma.
Cheia de movimento.
Toda cheia de movimento.
Sutil.
Mas venho me exibindo
para todos os meus pedaços de mim mesma.

O estalo do meu corpo
me seduz
E ali quietinha
Eu me apaixono por mim mesma
e quero sentir
todos os meus cheiros.

E tudo em mim
(por um segundo)
se torna perfeição e fascinio.
Porque quando o movimento entra
ele olha pra tudo emmim
e da um sorrisinho
e não dá a mínima pra ninguém
e vai...

domingo, 22 de maio de 2011

A Neutralidade dos Olhos

Fotografia: Patrícia Lopes

Tenho andado com os olhos calados
Eles não questionam,
nem respondem,
não negam nem afirmam,
não aceitam nem rejeitam.

Olham apenas
sem espanto ou lembrança ou remorso ou saudade.

Meus olhos nem desejam.
Eles olham e olham e olham e olham.
Seria uma morte lenta, a vida desses olhos?
Um mergulho sutil no lago escuro?
Meus olhos nada absorvem
Porem tudo veem.

Será que eles adotaram o dialogo sórdido da morte?
Ou será que vagueiam por outros caminhos de abstração visual?

Minha cabeça pergunta
Meus olhos só olham
E olham sem se cansarem...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Intenções dos Bêbados

(Van Gogh)

Não queria
Voltar pra casa
morbidamente,
sem esvaziar a alma
um pouco,
sem deixa-la ébria

Seja de coisas simples,
Seja de coisas fortes.