Afim de deixar ser transparente as sensações únicas e individuais, dos dias que compõe a vida, como num diário...
terça-feira, 12 de abril de 2011
Intenções dos Bêbados
Não queria
Voltar pra casa
morbidamente,
sem esvaziar a alma
um pouco,
sem deixa-la ébria
Seja de coisas simples,
Seja de coisas fortes.
sábado, 26 de março de 2011
Conclusão dos Conhecedores e Amantes
Fortaleza fervilha
embaixo do tapete de lixo.
E sua poética ressoa
sobre toda atmosfera etílica:
o barulho das buzinas,
a morbidez alvoroçada das pessoas,
os corações abrazados nos botecos
e a fumaça.
quinta-feira, 24 de março de 2011
O Quarto Vermelho
Guardo tantas coisas nesse quarto,
Se escondem
outras tantas mais,
Submerge sempre
uma outra porção,
Desaparece constantemente
um bom bocado
do que eu fui.
Peço silêncio às paredes
elas sabem de tudo,
Peço silêncio às paredes
Elas são de uma calidez taciturna
mas também são gélidas
e suas palavras pódem me cortar sem perdão.
nos dias de volúpia
elas apenas olham
e nos dias de fúria
cantam o rock do diabo.
E todos os móveis
espaços vazios
e papeis no chão
têm sua explicação:
No quarto vermelho
tudo é revelação
e mistério.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Paradoxo dos duetos
Sentir e escrever são duas coisas diferentes.
Até a mão ter terminado o serviço,
'falando' a respeito de um sentimento,
o sentimento já é outro
e já se passaram inúmeros entre a primeira letra
e o ponto final.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Fêmea e Macho
É duro acreditar
Na simplicidade dos homens.
É cruel
Às vezes.
Um dia, eu disse:
- Não quero ser assim!
Quero continuar acreditando na sutileza do amor.
O que vem a confortar
A alma dessas mulheres apaixonadas
É o fato de saber
Que é da vida, é do viver.
E a vida Ao se mostrar de frente
Dá um sorriso sutil,
Dizendo à mulher:
- Eu bem que quis te mostrar...
Daí entende- se:
É da vida,
É do viver
As complicações,
Ilusões,
A paixão...
A Vida é uma fêmea,
O Viver é macho.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
O Polígono

Cena do filme Tempos Modernos
Um poeta falou que um poeta fala do presente
Embora por meio do passado,
Embora que se use o futuro.
Quando as correntes da certeza serão dissipadas?
Até quando todos os meus irmãos comerão o que é jogado?
Por quanto tempo mais vamos esconder a nossa liberdade?
Essa mesma liberdade
Que só o recém-nascido toca de verdade.
Por que não vivemos, simplesmente?
Essa vida tem um formato,
Essa vida tem um formato, embora bem remoto
Difícil de enxergar.
Essa vida é um polígono viril!
Cada vértice é um cadeado.
O trabalho pra ganhar dinheiro,
O dinheiro pra comprar,
A compra pra comer,
E comer pra trabalhar.
E quando pensa que é livre
Sai, vai a uma festa
Dança bastante, bebe.
E se gasta dinheiro na festa
E o trabalho ta lá na festa.
Esse é o polígono.
Tanta fé vã, meu Deus!
Tantos valores inventados.
Sexo
som
gosto
sensação
pensamento...
Isso é a vida crua/nua.
A gente devia entender que ela é uma reta
(infinitos pontos)
E não esse polígono miserável
Tão limitado.
Se fizer errado(Não do jeito que mandam): Vai ser demitido!
Se gastar mal (Não do jeito que quer): Vai ficar no sufoco!
Se comer demais (Não como desejas): Vai ficar gordo!
Obedeça!
Obedeça!
Obedeça!
Se encaixe na forma
E saia da reta.
- Eis a vida de um perfeito cidadão!
(Disse meu irmão)
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Visão

À Mário Quintana
Olhando braços de pessoas
Olhando o céu
Olhando o formato de um chapéu
Surpreendendo-me com o movimento das pernas.
Como ensinaram?
Como fizeram?
Quem teve a idéia?
Olhando invenções
A tela do computador
Olhando a cor
Como tudo se criou?
Seria loucura, a visão?
Ou loucura seria não ver?
Às vezes me pego olhando o mundo...
Olhando de outro planeta
(outra cabeça).
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